Miuzela é fixe...
Автор: Jorge Afonso
Загружено: 2014-09-13
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Encostada ao concelho de Sabugal, ao qual já pertenceu, a freguesia de Miuzela é a mais distante da vila de Almeida. Com uma área de 1.420 hectares, situa-se num contraforte da serra das Mesas, ao centro de um promontório delimitado pela confluência da ribeira de Noemi e do rio Côa.
Tudo o que aqui existe merece um relevo especial e uma profunda reflexão, tudo é convidativo à meditação: a beleza das suas paisagens enquadradas na genuína natureza, a sua fauna, a rica e diversificada flora, as suas gentes e todo um mundo de história social e etnográfica. A vista geral da Miuzela chega a ser de várias tonalidades, sente-se uma magia criadora, desde a pujante verdura dos seus vinhedos e pinhais até aos pálidos esbatidos outonais, período em que o cair da folha dá o imprescindível toque de nostalgia à vida deste quadro ímpar. Infelizmente, nos últimos anos, os incêndios florestais alteraram significativamente a cobertura vegetal tradicional das áreas envolventes da Miuzela.
Quem vem de longe avista o imenso casario branco, em perfeito contraste com o austero e secular granito, não pode deixar de se sentir arrebatado por tanta beleza e pureza de um povoado que encerra uma harmoniosa forma de ser e de estar. E não consegue ficar insensível à sua linda igreja matriz, à torre do relógio, ao calvário, à escola e às fontes de mergulho.
O frondoso Pinho Redondo era uma árvore secular de grande porte que testemunhava a imponência e nobreza da antiga propriedade do “Chão da Porta”. Importante elemento do “pulmão” desta freguesia, referência ímpar de muitos séculos, esta formosa árvore atravessou os tempos ligados ao imaginário dos Miuzelenses, que amiúde a procuravam para desfrutar do seu oxigénio e da sombra que a sua copa largamente espraiada proporcionava. Também as crianças nunca conseguiram resistir ao seu fascínio e às suas pinhas que furtivamente desviavam, utilizando os pinhões como moeda de troca dos seus jogos tradicionais. Mas hoje o Pinho Redondo já não sobressai na vastidão da paisagem. Caiu, ou foi feito cair!
O rio Côa e o seu afluente Noemi estão também intimamente ligados à vida desta freguesia, visto que as imensas veigas das margens dos dois cursos de água produziram diversas culturas ao longo dos tempos, como o linho, o milho, a cevada, a batata e a vinha, cujas uvas eram de excelente qualidade; além disso sempre foram de grande riqueza piscícola contendo variadas espécies desde a tão saborosa truta até ao tão cantado bordalo.
As origens desta freguesia são muito antigas, crendo-se que remontem à época romana ou até a um período anterior, isto se o grupo de seis sepulturas cavadas na rocha, no sítio de Porto Mancal, forem realmente, como muitos julgam, de proveniência celta. Os historiadores que têm vindo a estudar este achado, sobre o qual ainda não há conclusões definitivas, estão em crer que terá sido muito provável a existência de uma família que ali teve o seu habitat, devido à proximidade da ribeira do Noemi e aos recursos por ela proporcionados. As sepulturas apresentam o local da cabeça mais elevado que o do corpo, e a sua disposição geográfica permite pensar que se tratou de uma família celta que por obscuras razões se extinguiu, ou foi colectivamente extinta, visto existir entre elas a de uma criança. O pequeno cemitério encontra-se num terreno privado cujo proprietário tem obstado à preservação de tão rico e expressivo património, ansiando-se fortemente que o imbróglio seja ultrapassado para que a Miuzela possa para sempre conservar aquela que poderá ser a certidão de uma idade anterior aos romanos.
Enxerto doTexto extraído do Dicionário Enciclopédico das Freguesias - III Volume
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