Boca de Lixo Eduardo Coutinho
Автор: Patricia Porto
Загружено: 2016-08-09
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FILMOGRAFIA
Coutinho, Eduardo. Boca de Lixo, video documentário, 54min., 1994.
Notas sobre "Boca de Lixo" por Cláudio Oliveira
Um pouco para lá da metade do documentário Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho, um dos personagens, seu Enock, dirá: "O lixo faz parte da vida. O final do serviço é o lixo. E é dali que começa...
O final do serviço diz que é a limpeza da casa, ir jogando fora o que se desprezou, o que se reciclou, o que findou ali. Mas ele (o lixo) continua ali e dali ele continua pra mais longe ainda..." Aquilo que não serve mais, que foi rejeitado pela cidade, que perdeu a utilidade para nós, o "final do serviço", enfim, nas palavras de Seu Enock, é também o início do documentário.
A câmara passeia pelo lixo e vai encontrar urubus e outros animais alimentado-se dele. E é através do lixo, ainda, que seremos introduzidos às histórias e visões de mundo das pessoas que - surpreendentemente para nós, habitantes privilegiados das cidades - o converte em material de consumo e sustento.
Da imensidão do campo repleto de detritos e bichos os mais variados somos confrontados com a imagem de seres humanos como eu e você disputando avidamente o mesmo alimento que há poucos instantes atrás vimos os animais disputarem. O caminhão despeja os detritos e o realizador, direcionando nosso olhar através de planos detalhes, nos mostra o objeto de disputa daquelas pessoas: sobras de frutas, legumes, carnes etc. desaproveitados.
O que vem a seguir serve, de algum modo, para confirmar aquilo que já supúnhamos saber, os catadores se escondem, protegem seus rostos da intromissão do invasor e sua câmera, e a nossa conclusão: eles têm vergonha de trabalharem ali naquele local que para nós, espectadores, é desconcertante. Estão ali, ainda segundo nossa visão, porque não há definitivamente outra opção, vítimas que são de um sistema social injusto e contraditório etc. etc. e seguimos, seguros, lançando mão de um sem número de outros jargões e lugares comuns, adquiridos ao longo de nossas vidas cômodas e confortáveis, bem diferente daquele mundo abjeto.
Mas aí quando adquirimos a certeza de que já entendemos tudo, Coutinho nos surpreende outra vez. Ele monta três depoimentos de três catadoras de lixo que afirmam estar ali por opção, que preferem o lixo, no dizer de uma delas, a trabalhar em casa de família, porque, segundo outra, "tem uma porrada de mulher aqui, uma porrada de homem... que trabalha aqui porque é relaxado, porque prefere comer fácil, porque aqui cai batata, porque aqui cai de tudo pra se comer, muita gente come porque quer", e outra, "trabalhar aqui... eu tenho orgulho de trabalhar aqui!, porque não tenho que ir na casa de ninguém pedir..."
(....)
1 Cf. Feldman-Bianco, B. e Moreira leite, M.(orgs.). Desafios da Imagem: Fotografia, Iconografia e Video nas Ciências Sociais, cit, p. 208.
BIBLIOGRAFIA
Berger, John. Modos de Ver. São Paulo, ed. Gustavo Gili, SA.
Goffman, Erving. A Representação do Eu na Vida Cotidiana. Petrópolis, Editora Vozes, 8ª edição, 1999.
Macedo, Valéria. Eduardo Coutinho e a Câmera da Dura Sorte. Entrevista. Revista Sexta-Feira.
Feldman-Bianco, B. e Moreira leite, M.(orgs.). Desafios da Imagem: Fotografia, Iconografia e Video nas Ciências Sociais. São Paulo, Papirus Editora.
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