Acordo Mercosul–União Europeia: importaremos capital humano e exportaremos commodities
Автор: Paulo Gala/ Economia & Finanças
Загружено: 2026-01-11
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O debate sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia costuma vir embalado por uma promessa sedutora: “mais acesso a mercados”, “mais investimentos”, “mais integração ao mundo”. Mas, quando a gente sai do discurso e olha a estrutura do que tende a acontecer na prática, aparece um desenho bem menos glamouroso — e muito mais perigoso para um país que ainda tenta escapar da armadilha da renda média.
A intuição central é simples: vamos exportar bens com baixo conteúdo de capital humano e importar bens com alto conteúdo de capital humano. Em outras palavras, exportaremos sobretudo produtos agrícolas e extrativos e importaremos manufaturas e serviços industriais sofisticados. Isso não é apenas uma diferença de “setores”; é uma diferença de densidade tecnológica, complexidade produtiva e capacidade de acumular conhecimento ao longo do tempo.
O que importa não é só “o que” se exporta, mas “o que” se aprende exportando
O capital humano — o conhecimento produtivo, a engenharia, a capacidade de projetar, operar e melhorar processos — não se distribui de maneira uniforme entre bens e serviços. Ele fica concentrado exatamente nas atividades em que existem barreiras técnicas, necessidade de coordenação complexa e ciclos contínuos de inovação.
Pense em turbinas, reatores nucleares, microchips, 5G, química fina, mecânica de precisão, equipamentos médicos, máquinas industriais, software embarcado. Para produzir isso, não basta “ter mão de obra”; é preciso cadeias longas de fornecedores, engenharia acumulada, padronização, metrologia, domínio de materiais, testes, certificações, P&D, e um ecossistema inteiro que aprende fazendo. São setores em que o conhecimento se acumula de forma cumulativa: quem produz hoje, produz melhor amanhã; e quem produz melhor amanhã, passa a inovar e dominar nichos.
Agora compare com café, açúcar, boi, algodão, minério de ferro, soja. Isso não significa que não exista técnica nessas atividades — existe, e muita. Mas o ponto é outro: a fronteira tecnológica e o núcleo do valor capturado globalmente não estão aí. A maior parte do ganho de renda, do poder de mercado e da captura de valor tende a ficar nos elos industrializados: máquinas, insumos especiais, genética proprietária, defensivos de última geração, logística sofisticada, trading, financeirização, marcas, certificações, tecnologia de processamento, e, principalmente, propriedade intelectual.
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