Caminhoneiro Salva P R F de Emboscada… E Depois é Tratado como Criminoso
Автор: Relatos de chofer
Загружено: 2026-01-04
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Encostei, na dúvida. E foi aí que começou a treta. Não era só pneu furado, nem farol queimado, não. Tinha coisa errada ali, e feia. A história? Ah… essa aqui não é pra farofa nem pantaneiro… Essa é daquelas que a gente só acredita porque viveu.
Chama na bota, chofer… que essa estrada vai longe.
O ronco do motor do meu Scania R450 vermelho ecoava pela madrugada feito trovão cortando o silêncio da B R um meia três. Eu tava no trecho havia horas, os faróis rasgando a escuridão, e o cheiro de diesel misturado com terra molhada batia direto no peito. Lá fora, o mundo era só breu e chuva fina. Dentro da boleia, eu tava firme, no 12, com o rádio PX ligado na AM, captando uns chiados distantes de outros brutos que também encaravam a noite.
— Chama na bota, chofer... — murmurei sozinho, ajustando o retrovisor. — Vambora, meu bruto, segura na mão do P X Maior e toca o trecho.
Tava puxando carga leve, retorno de viagem, só a carreta de alumínio balançando de leve com o vento sul. Eu, Rafael Costa — ou só Rafa, pros parceiros de estrada — era mais conhecido como “o Leal”. Não por ser santo, mas porque nunca deixei um chofer na mão. Seja pneu furado, seja buchada braba, eu paro, ajudo, boto pra rodar. Essa fama corre o rádio, e o rádio corre mais que notícia ruim.
Meu Scania era mais do que caminhão. Era meu chão, meu teto, minha cozinha, minha história. Comprei ele depois de muito batente com bicheira velha. Cada detalhe daquela viatura tinha suor meu. O volante já moldado pela minha mão, o banco com marca do meu cotovelo, o painel com a medalhinha da minha mãe colada perto do tacógrafo, me lembrando de rezar — coisa que a gente aprende a respeitar depois de umas três viradas na serra do Cafezal.
O rádio crepitou, cortando meus pensamentos:
— QRA Leal, QRA Leal... copia aí?
— Positivo, chofer. Na escuta. Quem chama?
— Aqui é o Pantaneiro. Tô uns dez quilômetros atrás de você. Vi tua lanterna piscando. Tá tudo certo?
— Tranquilo. Foi só um desvio de pista. Tapete meio liso. Segura firme e evita a banguela, que a coisa tá traiçoeira.
Desliguei o PX e encostei o braço na janela. A vida na boleia é feita desses momentos: silêncio e barulho, solidão e saudade. Meus cristaloides — João e Marina — deviam estar dormindo, e minha cristal, a Lúcia, provavelmente enrolada no cobertor, olhando a cama vazia. Fazia dois meses que não dormia em casa. Batente é batente, e boleto não espera.
Foi aí que vi. Um brilho estranho no acostamento. Reduzi no freio motor, senti o Scania firmar o pé no tapetão. As luzes à frente eram de uma viatura da P R F, parada, porta semiaberta, farol direito apagado. Estranho. Muito estranho.
— Cê tá doido, chofer… — sussurrei, o estômago gelando.
Pisei devagar no freio. Meu pé sentia o pulso da estrada. O coração disparou. Encostar ou seguir? Era só o primeiro capítulo de mais uma noite comum… ou o início de um daqueles dias que mudam tudo.
Encostei. Porque é isso que a gente faz quando tem estrada no sangue.
Desliguei o farol, deixei só a luz de cortesia, e peguei a lanterna do painel. A chuva engrossava. O cheiro de terra molhada agora trazia junto um toque metálico, estranho. Caminhei devagar em direção à viatura, o som da chuva abafando tudo.
E quando vi o sangue na porta da P R F, entendi: aquela noite ia virar história. E eu tava dentro dela, sem nem saber como.
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