CAMINHONEIRO CHEGA NA FAZENDA PRA BUSCAR A CARGA E A FILHA DO PATRÃO PEDE CARONA — O QUE ELES VIVERA
Автор: Relatos de chofer
Загружено: 2026-01-19
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Rapaz… quando eu cheguei naquela fazenda, só queria puxar meu filé e cair no tapetão, no meu Scania R450 vermelho. Tava batendo lata há dois dias, e a saudade da minha estrada já gritava.
Mas aí, chofer… apareceu ela.
Com um olhar perdido e um pedido que me travou no freio motor. “Me leva.”
Cê tá doido, chofer? Aquilo não era carga leve não. Era enrosco. Mistério dos grandes.
E o que veio depois, na meia três, foi coisa que nem coruja na madrugada podia imaginar...
Tô na liga, viu? Essa história vai te pegar no contrapé. Chama na bota, que começa agora.
O céu ainda escurecia quando o ronco grave do meu Scania R450 vermelho cortou o silêncio da madrugada. Estava no acostamento da B R um meia três, com o farol baixo iluminando só poeira e mato seco. Uma buzina fina rasgou o rádio PX e uma voz apressada soltou no canal:
— Chofer, tem viatura da P R F no trevo de Cáceres... marca no toco aí!
Respondi com um "câmbio, positivo" e soltei a rédea.
Já era minha segunda viagem batendo lata naquele trecho. Sem carga, sem destino firme. O batente tava fraco, só buchas ou carga sem frete que prestasse. E eu, Jorge Elias, quarenta anos nas costas, seguia firme na boleia como sempre fiz — sozinho, na liga, sem reclamar. Pelo menos não em voz alta.
Só que aquela manhã ia me lembrar que a estrada nunca é igual duas vezes.
O motor do bruto roncava gostoso, fazendo média na subida do Morro do Chapéu, quando o rádio chiou de novo. Voz feminina. Baixa. Tremida.
— Alguém na escuta...? Preciso de ajuda aqui na altura do km duzentos da dois quatro dois...
Fiquei na dúvida se era trote ou desespero real. Mas tinha algo no tom da voz... cê sabe como é, chofer sente. Era verdade.
Pisei no freio, joguei pro acostamento e puxei a ré pra escutar melhor. O silêncio depois da mensagem me incomodou mais que qualquer sirene.
— Positivo, moça. Aqui é Jorge Elias, toco firme na dois quatro dois. Fala aí qual o perrengue.
Nada. Só o chiado do vento cortando o microfone aberto.
Joguei a alavanca e tomei a descida. Minutos depois, vi ao longe um cara chata encostado na sombra de um eucalipto, bem no trecho onde o tapetão vira costela. E ao lado dele, uma mulher — braços cruzados, expressão dura. Sozinha.
Quando parei o caminhão, ela virou de costas, como se esperasse outra pessoa. Caminhei até ela com passo firme.
— Tá tudo certo aí?
Ela virou e só então reconheci. Isadora, filha do patrão da fazenda onde eu descarregava mês sim, mês não. Lembrei do jeito que ela saía com as botas sujas de barro, cara de quem não engolia ordem calada.
— Jorge? — ela disse, surpresa. — Que sorte... Ou talvez azar, né?
— Cê tá fazendo o quê aqui, sozinha, com esse caminhão da roça parado?
Ela hesitou, olhou pro chão. Respirou fundo.
— Briguei com meu pai. Fui embora. Mas a bicheira do caminhão não aguentou nem vinte quilômetros.
Olhei em volta. Nada de sinal. Nada de socorro. E eu, que só queria puxar uma carga e cair fora, tava de frente pra um enrosco daqueles.
— Entra aí no bruto. Vamos ver o que dá pra fazer.
Ela não agradeceu. Não sorriu. Mas entrou. E foi assim, sem falar muito, que tudo começou.
Na boleia, o silêncio veio de novo. Só que agora tinha peso. Tinha passado. Tinha mágoa no ar.
— Pra onde cê tá indo? — perguntei, puxando a marcha.
— Pra onde der. Só quero sair de perto dele. E de tudo aquilo.
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