Geografia da desindustrialização brasileira
Автор: Paulo Gala/ Economia & Finanças
Загружено: 2026-01-16
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Introdução: O Mistério das Fábricas que Desaparecem
Durante décadas, o Brasil foi visto como o motor industrial da América Latina, ostentando uma estrutura manufatureira robusta que não apenas impulsionava o PIB, mas também servia como símbolo de modernização. No entanto, o cenário atual é de uma inquietante semiestagnação. O dado central é contundente e revela a escala do esvaziamento: a participação da indústria de transformação no emprego formal brasileiro despencou de 27,7%, em 1986, para apenas 15,1% em 2022.
Embora o debate público costume tratar esse fenômeno como uma onda nacional uniforme, a análise dos dados sugere algo mais complexo. Enquanto o país como um todo parece recuar, o cronograma do declínio varia: em regiões como o Rio de Janeiro e partes do interior paulista, os primeiros sinais de fadiga industrial remontam aos anos 1970 ou, no caso fluminense, até períodos anteriores. Diante desse mosaico de perdas, surge a pergunta inevitável: será que a desindustrialização é uma tragédia nacional homogênea ou um fenômeno radicalmente localizado em pontos específicos do mapa?
A Ilusão da Média: Por que a Desindustrialização é Radicalmente Assimétrica
Nem todo o Brasil está perdendo suas fábricas na mesma intensidade
A “média nacional” é uma abstração que esconde o que os economistas Paulo César Morceiro e Milene Tessarin chamam de profunda heterogeneidade regional. O declínio industrial brasileiro não é um processo equilibrado; ele é marcado por uma assimetria gritante entre as grandes metrópoles e o restante do território.
Entre 1985 e 2022, a queda média ponderada do emprego industrial nas capitais foi de impressionantes 63,5%. No mesmo período, o interior dos estados registrou um recuo significativamente menor, de 35,2%. Essa disparidade é explicada pelas chamadas “deseconomias de aglomeração”. Nos grandes centros, os custos de saturação urbana — como o preço proibitivo de terrenos, o trânsito caótico que encarece a logística, salários nominais mais altos e uma pressão sindical mais organizada — acabaram expulsando as fábricas para regiões com custos operacionais mais competitivos.
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